21/11/2008 às 00:00:00 - Atualizado em 20/11/2008 às 20:46:55
Abaixo o destempero
A tática do grito e do berro, da ofensa pessoal e do descompasso, do desatino e do ataque, não deve pautar o comportamento de qualquer pessoa, muito menos de quem se arvora a ser representante do povo. A oratória do destempero, que aqui no Paraná é personificada na conduta despropositada de Roberto Requião, desgosta a boa política e fere a ética. Todavia, essa “escola requianista”, por mais disparatada que seja, tem adeptos. Há homens públicos medíocres que se deixam influenciar pela idéia estúpida de que basta falar alto e utilizar adjetivos injuriosos para conseguir o que quer. O “aluninho” da vez é o deputado estadual Fábio Camargo (PTB), que incomodado com o que ele chama de “ameaças veladas” à continuidade da CPI dos Grampos, chamou o magistrado Pedro Sanson Corat, titular da Vara de Inquéritos da Região Metropolitana, de “moleque criminoso com toga de juiz”. Beira a fanfarrice.
Perto do fim
Para quem sonha em alcançar um cargo no Executivo, tal forma de proceder é um suicídio político. Não é com grosserias e indelicadezas que Fábio Camargo alcançará a admiração popular. Ao contrário. O eleitor repudia o descontrole. Portanto, ou o deputado muda, ou “morre”.
Modelo
Os grandes homens públicos sabem que não se ganha uma batalha na base da inconseqüência verbal. O verdadeiro estadista é aquele que age com serenidade e dignidade. O bufão está do outro lado.
Conteúdo
Em momento de tensão, tão importante quanto o temperamento equilibrado é a moderação, a ponderação de argumentos, a capacidade lícita de convencer. A franqueza e a educação devem caminhar sempre juntas. Por isso, o vitorioso em qualquer discussão não é aquele que dá porrada, mas sim o que expõe as idéias sem violência. Falta muito para Camargo aprender. Já Requião, por óbvio, não tem jeito.
Alto nível
O melhor exemplo da forma correta em retrucar momentos de adversidade foi o que fez o presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), Miguel Kfouri Neto, em resposta ao deputado. Disse ele: “Se não concorda com a conduta do juiz, ele tinha meios legais para questionar, poderia procurar nossa corregedoria ou, até, o Conselho Nacional de Justiça”. Simples e fácil.
Igual
A nota oficial divulgada pela Amapar para comentar o caso foi ainda mais ácida, mas, em momento algum, perdeu o tom de tranqüilidade. Eis o trecho principal: “O deputado não apresenta nenhuma prova de suas alegações, razão pela qual as ofensas gratuitas não podem ser levadas a sério. Tem-se a impressão de que o parlamentar pretende apenas aparecer”. No alvo.
Minoria
Felizmente, na política do Paraná, os destemperados constituem uma pequena parcela. O insucesso de Requião desestimula os congenitamente de maus bofes.
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